EJACULAÇÃO RÁPIDA, ANGUSTIA E SUAS CONSEQUÊNCIAS
Com insatisfação crônica, conflitos e raivas gerados pelas constantes frustrações que advém da ejaculação rápida, o casal pode começar a evitar a intimidade sexual e consequentemente com isso, afetar também a ereção. Este ciclo vicioso pode piorar para o ejaculador rápido, que já possui uma tendência a ser ansioso a respeito de sua performance sexual. E é exatamente esta ejaculação rápida que reforçará a angústia do homem. Cada experiência negativa vai reforçando o sentimento de incapacidade, gerando mais angustia. É impossível para o homem obter ereção se o nível de angústia chega a este ponto.
Angústia e ansiedade não são sinônimas, de acordo com Dejours (1988, p. 22). A angústia seria uma reação do corpo e a ansiedade uma reação unicamente psíquica. Para Lange e James (apud DEJOURS, 1884-1885), “as manifestações somáticas da angústia não são o resultado, mas a própria causa desta vivência. A angústia seria a percepção confusa que tem o sujeito das perturbações biológicas que se passam nele face a uma situação de perigo”. Portanto, medicações bloqueadoras dos receptores adrenérgicos são muito eficazes para impedir o desencadeamento de estimulações neurovegetativas. Dejours enfatiza ainda que há autores que entendem que um trauma psíquico seria a causa das manifestações somáticas da angústia. “Estas respostas somáticas estariam em relação com a ativação dos resíduos filogenéticos, de respostas arcaicas, essencialmente comportamentais, destinadas a preparar o sujeito ameaçado para enfrentar a situação” (p. 23).
A ER muitas vezes é um transtorno crônico em que o paciente não procura auxílio imediato. Quando não adequadamente avaliado, os pacientes podem ser diagnosticados como portadores de Disfunção Erétil (DE), o que pode retardar o tratamento. É com muita frequência que se observam pacientes com EP primária, que nunca buscaram ajuda, no momento da consulta com o urologista, sentirem-se envergonhados. Na verdade, eles adiaram tanto procurar este auxílio (geralmente por vergonha), que pela preocupação com o seu desempenho, começam a falhar. Só então, extremamente angustiados, buscam auxílio médico. Mas em função da vergonha que sentem por terem de admitir para outro homem uma dificuldade sexual, não explicam a origem de sua disfunção. Alegam que começaram a perder a ereção e não sabem por que, nem quando começou. Médicos que acreditam que muitos problemas sexuais têm origem psicológica, encaminham pacientes com este tipo de queixa para uma avaliação com psicólogos. Outros simplesmente medicam o paciente com uma medicação oral para a ereção, tirando com isso a possibilidade de tratar realmente a causa do problema.
Hatzimouratidis e Hatzichristou (2007) chamam atenção sobre a necessidade de se explicar ao paciente que perder a ereção após a ejaculação é normal, pois muitas vezes eles trazem a queixa de que estão perdendo a ereção quando o problema é que ejaculam muito rápido.
Para Cherman (1999), a maioria dos casos de DE começam com queixas de EP. A preocupação com o tempo da ereção, a cobrança da penetração, são comuns e significativos em 96% dos homens, independentemente da idade, em ambos os grupos de pacientes: com DE e EP. Para esta autora, é necessário que o homem possa livrar-se da preocupação com a virilidade e competição, bem como compreender que o sexo não se limita somente ao desempenho com o falo.
Rodrigues Jr. (2004) chama atenção para a relação existente entre orgasmo e ejaculação, uma vez que a ejaculação acontece nos genitais e o orgasmo no cérebro. A sensação de ejaculação acontecer ao mesmo tempo em que o orgasmo remete às primeiras experiências de ejaculação. Nesta fase (10 – 12 anos), período operatório concreto, a capacidade cerebral é limitada, podendo interferir na capacidade do menino de interpretar o mundo. Ele associará a repetição destas experiências, ejaculação e sensações prazerosas, ao orgasmo. Com isso, muitos homens têm dificuldade em compreender que chegar ao orgasmo e ejacular não acontece necessariamente ao mesmo tempo.
È necessário portanto, para ajudar estes pacientes que o urologista encaminhe para fazer uma avaliação psicológica. O trabalho em conjunto do urologista com o psicólogo é a via mais rápida de tratamento. Na prática sabemos que funciona muito bem aliar a medicação antidepressiva com a terapia sexual.
Referências bibliográficas
CHERMAN, S. K. F. Ejaculação precoce: sintoma ou mito? Revista brasileira de sexualidade humana. Vol. 10, n° 2, 1999, 207-216.
DEJOURS, C. O Corpo. Entre a Biologia e a Psicanálise. Porto Alegre: Artes Médicas, 1988.
HATZIMOURATIDIS, K.; HATZICHRISTOU, D. Sexual dysfunction: classifications and definitions. Journal of sexual medicine. 2007; 4:241-250.
LANGE E JAMES in DEJOURS, C. O Corpo. Entre a Biologia e a Psicanálise. Porto Alegre: Artes Médicas, 1988.
RODRIGUES JR, O. M. In: TELÖKEN, C.; DA ROS, C. T.; TANNHAUSER, M. Disfunção Sexual. Rio de Janeiro: Revinter, 2004, 183-191.
terça-feira, 7 de julho de 2009
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